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A vitória do Philadelphia 76ers sobre o Chicago Bulls na primeira rodada dos playoffs da NBA foi um daqueles resultados que derruba muita gente nas casas de apostas. Claro que o triunfo ficou mais fácil com as contusões de Derrick Rose e Joakim Noah, mas ainda assim é uma das raras eliminações que um oitavo colocado consegue sobre um líder de conferência. Inspirado neste resultado histórico, resolvi eleger um personagem que representa a maneira com que gosto de enxergar a liga americana de basquete: Elton Brand.
Titular do Sixers nos seis jogos que a equipe fez na primeira fase dos playoffs, Brand já foi esperança de futuro melhor em Chicago. O ala-pivô foi a primeira escolha do Draft de 1999 e chegaria a um Bulls despedaçado após a aposentadoria de Michael Jordan. Mesmo em meio a um time em reconstrução, o jogador causou impacto imediato.
Em sua primeira temporada na NBA, Brand obteve médias de 20,1 pontos, dez rebotes e 1,6 tocos por partida. Em seu segundo campeonato com o Bulls, números parecidos: 20,1 pontos, 10,1 rebotes e 1,6 tocos, mas as assistências aumentaram de 1,9 para 3,2 e as roubadas, de 0,8 para uma.
A trajetória que parecia promissora em Chicago acabou quando o Bulls colocou os olhos sobre outro jovem talento do garrafão, chamado Tyson Chandler. Brand então acabou trocado para o Clippers em um negócio que não foi bom para ninguém.
Sob pressão, Chandler não conseguiu causar o impacto imediato que Brand havia causado. Passou ainda por New Orleans Hornets e Charlotte Bobcats até chegar ao Dallas Mavericks, onde finalmente conseguiu ser relevante em uma equipe boa e, sendo o ponto central da defesa do time, foi campeão.
Brand, por sua vez, chegou a ir para o All-Star Game e para os playoffs com o Clippers – na temporada 2005/2006, obteve as impressionantes médias de 25,4 pontos, 10,3 rebotes, quatro assistências e 2,6 tocos por jogo na pós-temporada. Mas foi em Los Angeles que o jogador rompeu o tendão de Aquiles durante a temporada 2007/2008. Desde então, o ala-pivô nunca mais conseguiu ser o mesmo.
Olhando de fora, anos e anos depois, é fácil dizer que o Bulls errou na troca. A franquia poderia ter montado um time mais forte antes se tivesse mantido Brand ao invés de trocar por Chandler. Mas o fato é que os dirigentes do time viram talento em um pivô que, de fato, é talentoso, mas que demorou mais do que o esperado para se desenvolver.
Também é fácil chamarmos Brand de decadente. Aos 33 anos e sem o mesmo vigor físico, o ala-pivô passou por momentos difíceis na carreira, como a contusão séria e a incerteza da agência livre depois dela. Por isso, não tenho dúvidas de que a vitória nos playoffs foi especial para ele.
Na série, Brand sustentou as médias modestas de 7,4 pontos e 4,9 rebotes por jogo. É apenas mais uma peça na rotação de garrafão do Sixers, que conta, por exemplo, com Spencer Hawes e Thaddeus Young, que hoje são mais importantes do que ele.
Porém, com a equipe que deu um voto de confiança, o ala-pivô chega aonde nunca havia chegado antes na carreira: às semifinais de conferência. Eliminando o time que poderia ter apostado dele, mas preferiu trocá-lo. Quem não gostaria de estar na pele de Brand?
3 pontos
1 – Aproveitando o gancho, que tal o Philadelphia 76ers roubando o mando de quadra do Boston Celtics? A equipe tem um elenco jovem e interessante, com várias opções em várias posições. Mas até onde pode chegar? Diria que o sucesso da equipe depende do desempenho de Andre Iguodala quando o time confiar nele nos minutos finais.
2 – O mesmo pode ser dito de Danny Granger no Indiana Pacers. Fez um grande trabalho defendendo LeBron James, mas, no ataque, acertou apenas um dos 11 arremessos que tentou no jogo 1 da série contra o Miami Heat. A equipe de Indianápolis precisa de um melhor desempenho dele se quiser sonhar com a classificação.
3 – Quando Metta World Peace provoca James Harden e diz que não cumprimenta reservas, confesso que acho legal. Faltam declarações assim na NBA. Mas sua atitude dentro da quadra estraga tudo. Que Devin Ebanks, que tem potencial para ser um defensor de elite, não entre na onda e confunda marcação com violência.
Formado em jornalismo na Universidade Presbiteriana Mackenzie-SP no fim de 2010 e colunista de NBA do Basketeria desde 2011, Lucas Pastore acompanha a liga americana de maneira mais séria desde fevereiro de 2008, quando ajudou a fundar o Spurs Brasil para falar de sua franquia predileta. Apaixonado por esportes, acompanha-os profissionalmente no UOL. Antes, foi repórter do iG e estagiário do LANCE!
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