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O maior tema esportivo desta semana no Brasil é a busca corintiana do título inédito da América. Na final da Libertadores pela primeira vez, o que muitos corintianos não sabem é que o título que eles perseguem há tanto tempo com os pés já veio pelas mãos por duas oportunidades! Foi na década de 1960, quando um lendário time conduziu o Timão aos máximos títulos sul-americanos de 1964 e 1969, além do vice-campeonato mundial de 1966.
Na ocasião, o que pode ser considerado um equivalente para o basquete em relação à Libertadores do futebol era a Copa dos Clubes Campeões Sul-Americanos, torneio tradicional que durou de 1946 até 2008. Disputado em São Paulo, o Corinthians garantiu a primeira conquista em 1964 ao bater, na final, os uruguaios do Tabaré. Cinco anos depois, o clube chegaria ao bi em Quito, batendo os donos da casa da LDU. O feito permitiu que o Timão disputasse a primeira edição do Mundial Inter-Clubes dois anos depois, em Madrid, onde seria batido apenas na final pelos italianos do Ignis Varese.
O bi Sul-Americano é uma das grandes honrarias desta geração e a aquela que, por motivos óbvios, pauta este artigo nesta quarta-feira. No entanto, não é, nem de perto, o mais expressivo feito desta geração que conquistou outros títulos continentais, além dos três nacionais e cinco estaduais. O basquete do Corinthians dos anos 60 mudou a história do esporte no país. Não houve nenhum time dominante e representativo na história do basquete brasileiro como este Corinthians dos Anos Dourados. Que outra equipe conseguiu reunir tantos medalhistas olímpicos e campeões mundiais e fazer frente com as principais forças do esporte no planeta (vencendo, inclusive, o Real Madrid e a seleção dos Estados Unidos de basquete!), acumulando, não só conquistas, mas façanhas absolutamente notáveis?
Folha de São Paulo - Edição de 06/07/1965O jornalista Juca Kfouri, corintiano e basketeiro, contou ao Basketeria alguns dos momentos que ele se recorda com mais saudade daquela equipe:
A torcida soltando rojão em ginásio fechado, como o do Ibirapuera lotado; o time perfilado diante da charanga, ouvindo o hino... do Corinthians
Juca Kfouri
- A torcida soltando rojão em ginásio fechado, como o do Ibirapuera lotado; o time perfilado diante da charanga, ouvindo o hino... do Corinthians; a vitória contra os campeões europeus do Real Madrid, no ginásio do Corinthians, no primeiro jogo disputado no Brasil em que os dois times passaram de 100, 118 a 109 para o Corinthians, na primeira vez, também, que vi uma ponte-aérea, com Wlamir batendo o lateral para cesta e o Bira subindo para enterrar; as vitórias seguidas contra os três times universitários dos EUA que vieram a São Paulo. Tanta coisa...Os jogaços contra o Palmeiras e o Sírio nos campeonatos metropolitanos e estaduais.
O grande arquiteto dessa máquina de jogar basquete foi Wadih Helu, polêmico e conservador presidente do Corinthians de 1961-1971, anos duríssimos para o alvinegro no gramado. Sua decisão de montar um esquadrão poderoso tem sido atribuído a dois motivos bastante convincentes: o primeiro, mais personalista, é o fato de ele ser um grande fã da modalidade da bola laranja; o segundo, mais estratégico, era compensar o fracasso dos campos com o sucesso nas quadras.
Jornal do Brasil - Edição de 14 de junho de 1967
- Hoje, à luz dos mais de 22 anos sem títulos, fica mais fácil analisar aquilo como uma estratégia, mas na época não se pode negar ao Wadih o mérito de ter tentado, até desesperadamente, o título também no futebol, inclusive com grandes investimentos, principalmente em 66. Agora, que isso ajudou a aliviar a frustração no futebol, não há dúvida, até porque o basquete era de longe o segundo esporte mais popular do País – comentou, em consulta do Basketeria, o maior pesquisador da história do Corinthians, o jornalista Celso Unzelte.
A contratação de Wlamir, que pertencia ao XV de Piracicaba, em 1962, veio em uma transferência inusitadamente sem precedentes (ou pós-cedentes, pelo que se sabe): ele foi trocado por um jogador de futebol, Ubiraci, que interessava ao time do interior mas estava registrado na federação como atleta do Corinthians. Mas basquete corintiano não se tornou poderoso do dia para a noite. A chegada de Wlamir abriu uma série de contratações que tinham como ideia transformar a base da seleção brasileira no elenco do alvinegro do Parque São Jorge. Logo viria Ubiratan (recentemente imortalizado no Hall da Fama do Basquete Mundial), Rosa Branca, René Salomão, Nical, Edvar Simões, Borbola, Luizinho, Braz, Ortiz, Gilberto, Pedro Ives e claro, Amaury Pasos, que liderava o Brasil, na época, ao lado de Wlamir Marques.
- A equipe foi conseguindo cada vez mais identificar-se com o torcedor corintiano , talvez pelo fracasso do futebol ao não conseguir emplacar títulos. Com isso, descarregava as suas alegrias na equipe de basquete. O ginásio do clube continuava recebendo o torcedor vindo de todas as partes do país para nos ver jogar. Até hoje, onde vou, surge um corintiano lembrando daqueles tempos, dizendo que o seu pai o levou para assistir basquete pela primeira vez no Corinthians, relembrando dos grandes jogos alí disputados, além de comentarem sobre outras tantas passagens inesquecíveis para o torcedor, mas muitas vezes esquecidas por mim. Qualquer evento de basquete ali realizado era um sucesso garantido de público, comentou Wlamir Marques, em 2010, em sua comunidade no Orkut.
Foto: Acervo Pessoal - Wlamir Marques
Pois enquanto o bando de loucos aguarda, tensamente, a decisão contra o Boca Juniors, este artigo é um convite para relembrar heróis do passado, por vezes esquecidos pela monocultura brasileira do futebol e pela dificuldade do basquete em preservar a sua história. Se esta noite, Paulinho, Romarinho, Émerson e Jorge Henrique podem ser os heróis de uma conquista inédita, Wlamir, Amaury, Bira e Rosa Branca já trouxeram para a fiel o continente americano.
Guilherme Tadeu de Paula e Alfredo da Costa Lauria foram editores e fundadores do Draft Brasil de 2003 a 2011, quando saíram para criar o blog Giro no Aro, revivido aqui, no Basketeria, através dessa coluna. Guilherme é sociólogo e tem 27 anos, Alfredo é advogado e tem 30 anos. Ambos são analistas de basquete do Basketeria, parte da equipe responsável pela criação e desenvolvimento do site.
O José Constanzo, na época era diretor do basquete e trabalhou na Federação, esse eu sei que Deus o levou, agora gostaria de saber notícias ou fotos do Sr. Braz, na época administrador de basquete, pai do Brazinha que jogou no aspirante do Corinthians na qual o técnico era o Mical.
Timão, a loja do Torcedor
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Marcos Lacerda
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