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Não sou, nem de perto, daqueles que acham que todos jogadores bons devam ir para a NBA. Acho que há casos e casos e para muitos, talvez seja melhor continuar uma bela carreira no Velho Continente do que experimentar atravessar o oceano para comer o pão que o diabo amassou longe de casa. Aliás, um passo anterior ainda no argumento, devo avisar que sequer sou daqueles que acham que o craque para comprovar seu talento, deve ir bem na liga dos EUA.

Há inúmeros jogadores magníficos que não jogaram nos Estados Unidos e, nem por isso, deixaram de ser geniais. Para citar apenas os de nosso tempo, lembro de nomes como Papaloukas, Diamantidis, Felipe Reyes e Milos Teodosic que nunca jogaram a liga e não são menos craques por conta disso. Não vou nem entrar no mérito, ainda, de nomes como Jasikevicius, Tiago Splitter, Juan Carlos Navarro, Arvydas Sabonis, Vlad Divac, Vassilis Spanoulis, Anthony Parker, entre outros, que jogam ou jogaram na NBA sem conseguir repetir o mesmo nível apresentado em outras praças (ainda que seja inegável que entre cada um destes nomes haja diferenças claras).

Isso tudo colocado e se valer, voltamos ao debate anterior numa coluna futura, sinto que pode ser o momento de começarmos a pensar em Rafael Hettsheimeir, ou, simplesmente, Shaqheimeir como um aspirante real à NBA. Isso não é uma informação que tive falando com agentes do atleta ou coisa do tipo. É uma mera divagação baseada numa relação que estabeleço entre o que vem apresentando em quadras espanholas o jovem de Araçatuba e os imensos salários que franquias da liga têm pago para jogadores de baixíssimo nível técnico da mesma posição que o brasileiro.

Estabeleço esse critério como verdade porque imagino que não haja nenhuma possibilidade, em qualquer dimensão interplanetária que exista, em que Kwame Brown seja mais jogador que Rafael. O brasileiro é melhor em todos os aspectos do jogo. Dono de um arsenal ofensivo poderoso e de uma defesa dedicada, o paulista apareceu como alto nível do basquete mundial um pouco tarde, o que impossibilitou que seu nome fosse listado entre prospects do país para Draft de quando tinha idade para tal (como hoje listam Lucas Bebê, Fab Melo e Augusto Lima, atletas de potencial mas, sabidamente, inferiores tecnicamente ao nosso Shaq).

Não há dúvidas que o Cai Zaragoza fez bem ao pivô, mas todos sabem que, pelo nível atingindo na temporada passada, confirmado no Pré-Olímpico de Mar del Plata e reafirmado ao longo do ano na Liga Endesa, que dificilmente ele continuará a carreira no pequeno clube que o formou para o basquete. Seu lugar, nos próximos anos, será nos times de ponta da Europa: CSKA, Panathinakos, Olympiacos, Real Madrid, Barcelona, Montepaschi Siena, Maccabi TelAviv, ou, no máximo, Unicaja Málaga ou Caja Laboral. No entanto, sem passaporte comunitário, é possível que encontre até dificuldads nessa passagem. Por que, então, seus agentes e o próprio jogador não podem começar a vislumbrar um passo além-mar?

Aos poucos, os clubes da NBA têm aumentado o interesse no mercado B europeu. A notícia de que o Bobcats deve acertar com o mexicano Gustavo Ayon (um ano mais velho que nosso Shaq), que faz excelente temporada no Fuenlabrada, mostra que, se bem trabalhado e com um intermediador influente, o caminho pode sim ser trilhado por Rafael. Por ora, é apenas uma suposição desejosa de um analista de basquete distante da realidade dos fatos. Mas quem sabe o futuro não reserva ousadias deste tipo? A parte mais difícil ele já tem, que é jogar muita bola.   


Guilherme Tadeu
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Hoje, a partir das 15h, 14 equipes disputam a última rodada do NBB de 2011. Aproveito o momento muito especial da temporada para abordar, em algumas notas, as minhas impressões da última rodada deste ano do NBB 4. O campeonato volta dia 5 de janeiro em 2012, o ano mais temido do novo século.

O jogo da rodada 

Vivo Franca e São José/Unimed/Vinac fazem o duelo mais esperado desta rodada. Nós enviaremos o grande francano, Rodrigo Bertoni, o PVC do basquete brasileiro, para acompanhar e relatar os detalhes da partida direto do Pedrocão. Eu considero o confronto interessante porque de um lado está um dos favoritos ao título, o time do Vale do Paraíba, e do outro o time da cidade do basquete que tem feito uma péssima competição mas acumula duas vitórias e ameaça uma reabilitação. O jogo pode definir o futuro dos gringos de Franca bem como do técnico Hélio Rubens, muito pressionado. Meu palpite, no entanto, é de que, independente do que aconteça, Hélio ficará e Johnson partirá. 

O segundo jogo da rodada 

Em São Paulo, Paulistano Unimed recebe o Uniceub/BRB/Brasília com boas chances de vitória, algo impensável há dois meses. A baixa de Renato, porém, pode causar efeito perverso na rotação de Gustavo De Conti que tão bem vem comandado o time essa temporada. Guillermo Araújo, excelente pivô paraguaio, terá chance de jogar mais minutos. Mas sem ritmo de competitividade que o NBB exige e sem entrosamento e leitura das principais jogadas do time, imagino que só em janeiro poderemos ver jogar o seu melhor nível. Acredito que a chave do jogo esteja na velocidade: o time da capital federal tem um quinteto inicial excepcional, mas não tem peças o suficiente para aguentar os 40 minutos de intensidade que os donos da casa vão tentar implementar. Um jogo que seria muito interessante acompanhar de perto. Sem TV ou rádio transmitindo e eu morando na distante Vitória-ES, me restará acompanhar as estatísticas online. O Basketeria estará lá representando pelo jornalista Marcel Pedroza

Foto: DivulgaçãoFoto: Divulgação

Obrigação de vencer

O time de Joinville vem evoluindo jogo a jogo. Já venceu jogos importantes e fez jogo duro em lugares que pouco se esperava dele. No entanto, hoje é mais um daqueles jogos em que os donos da casa têm total obrigação de vencer. O Unitri Uberlândia é um time que disputa o topo da tabela e venceu Pinheiros e São José. Um tropeço agora seria catastrófico. A história é parecida para o Pinheiros Sky, que recebe o Minas Tênis Clube. Trata-se de um jogo de risco porque o time vem jogando mal, mas a obrigação está lá: trata-se de times de níveis e aspirações praticamente opostos. O Itabom Bauru é outro time que se encaixa nessa máxima, afinal, visita o lanterna que ainda nem venceu no campeonato e não quer se tornar um Robin Hood do NBB justo agora que tem se consolidado como força de ponta da tabela. Flamengo e Vila Velha/Garoto/BMG então, nem se fala.

Que passa com a Winner Limeira? 

Não tenho dúvidas, conhecendo o projeto de Limeira e a seriedade e capacidade do seu comandante, Demétrius, que o rendimento desta temporada está muito aquém do esperado. O time venceu apenas 3 de 8 partidas (Franca, Paulistano e Vila Velha). De acordo com os poucos jogos que vi (os dois da TV e a vitória em terras capixabas), suponho que a maior dificuldade da equipe seja enfrentar garrafões com mais opções e variações. As estatísticas sugerem um grande rendimento dos homens da armação (o trio é espetacular e até Tatu, que considero ótimo, vem sendo pouco utilizado) e uma grande dependência na área pintada de Daniel Alemão. Gosto do pivô, de sua trajetória e intensidade e admiro seu espetacular aproveitamento (62% para 2 pontos). Mas todos sabem que ele não pode ser um jogador de referência para um time que aspira grandes coisas no campeonato. É prematuro e até injusto fazer avaliações mais definitivas tendo visto tão poucos jogos, mas fica o registro que essa campanha que faz o time de Limeira me incomoda. Dito isso tudo, devo ressaltar que as chances de ter jogo duro hoje contra a LSB são gigantescas.

Mea culpa

Considerava, no início do campeonato, a Liga Sorocabana um time sem grandes possibilidades a não ser a briga para não ser o lanterna. Essa análise era baseada no péssimo Paulista que a equipe fez. No entanto, Rinaldo Rodrigues buscou peças interessantes e fez de Rafael Mineiro um jogador importante para um time, coisa que arrisco dizer, ele nunca havia sido ao longo da carreira, mesmo com o grande potencial físico e até técnico que tem. Com 15 pontos e 7 rebotes, o pivô é a maior surpresa individual, ao menos pra mim, do campeonato e a LSB a maior surpresa coletiva. 

Foto: Zeca BloiseFoto: Zeca BloiseJacaré

Em uma madrugada fria, como todas eram, em Mar del Plata, durante o Pré-Olímpico, encontrei, no restaurante Alito (que tanto marcou Rodrigo Alves - que acabou com o próprio blog sem aguentar de saudades dos exuberantes pratos da sofisticada culinária marplatense) o pai de Jacaré Kammerichs. Foi Arnaldo Szpiro, diretor de basquete do Flamengo, quem nos disse: - Tá vendo aquele ali, é o pai do Kammerichs. Fábio Aleixo, do Lance!, logo o abordou entregando seu chamativo cartão de visitas , nos abrindo a possibilidade de um contato mais informal. Com incrível simpatia e um peronismo confesso, aquele senhor quis saber tudo sobre a liga brasileira, que em breve, seu filho iria desbravar. Imagino hoje, a alegria do Papa Yacaré, ao saber que em tão pouco tempo, Federico já se tornou um dos principais nomes da competição, com 14 pontos e 10 rebotes de média (o único atleta de todo o NBB a promediar dígitos duplos). 

Fantasy

Já escalou seu Fantasy? Eu ainda não. Minha meta é ficar na frente do Blanka Polêmico, time de Alfredo Laura. No momento, ele é o nono e eu o décimo primeiro. Entre os boleiros com quem converso por aí, sei que Paulinho Boracina e André Góes são os que costumam ir bem. Entre os assessores de imprensa, Susi Moraes, do Uniceub/Brb/Brasília, já teve melhores dias, mas aproveitou o bom começo para deixar o seu "Nanicos" famoso. 
 


 

Pinheiros/Sky e Uniceub/Brb/Brasília são, certamente, duas das equipes aspirantes ao título brasileiro. Ambos fizeram semifinais bastante apertadas já no ano passado e todos os movimentos que o time da capital paulista fez esse ano foram para tentar se aproximar do poder de fogo dos candangos (ou, para ser mais preciso, para montar um time que possa ir mais longe que na temporada passada).

É isso, aliás,  que mais me agrada no projeto do Pinheiros. Ele cresceu passo a passo e chegou a um ponto em que apenas o título os deixará plenamente satisfeitos. O problema é que vivemos um campeonato (e isso é um dos seus pontos positivos) em que outras equipes também só sairão dele satisfeitos se campeões. Me parece ser também o caso do Brasília.

É por isso que o jogo de logo mais, com transmissão da emissora parceira da liga, nos motiva a discutir, projetar, pensar.

O maior reforço do time do cerrado para esse ano foi fora de quadra, uma melhor estruturação que o seu patrocinador principal promoveu separando melhores as áreas e deixando profissionais de cada setor cuidar de suas especialidades. Além disso, não é pouca coisa manter o elenco campeão, com nomes como Guilherme Giovannoni, Alex e Nezinho, sempre assediados por outros projetos no país.

Dentro de quadra, especificamente, espero do jogo de logo mais um duelo equilibrado e veloz. Vidal já confessou gostar muito quando os seus comandados partem para cima da cesta em velocidade e os times de Mortari, historicamente, preferem esse estilo de jogo. A chave da vitória pode estar nos desfalques: Alex e Shamell são dúvidas para o confronto de logo mais.

                                                  Foto: João Pires/DivulgaçãoFoto: João Pires/Divulgação

Não tenho dúvidas que o americano-brasileiro é extremamente talentoso e capaz de decidir uma partida (principalmente nos momentos decisivos, quando o time o procura para as definições, como, por exemplo, na final do Paulista), mas Alex é simplesmente o melhor jogador de basquete que temos no país. Sem ele, quem poderá tentar parar Marquinhos?  Por isso, acho praticamente impossível um cenário em que sem Alex os visitantes possam sair vitoriosos hoje.

Nem tudo é tão simples assim. Há outras chaves no confronto. Vamos explorá-las?

Guilherme x Olivinha

Giovannoni e Olivinha foram os melhores jogadores da posição 4 do país nos últimos dois anos. Dessa vez ganharam a concorrência imponente de Jacaré Kammerichs, do Flamengo. O pinheirense carioca vem num momento melhor, ancorado por seu impressionante arremesso de 3 pontos (50% da linha distante, média exuberante para ua posição), mas em partidas assim, o piracicabano cresce assustadoramente. Acredito que raramente os dois se encontrarão em quadra já que me parece mais interessante usar Morro para tentar parar Guilherme e Cipriano para anular Olivinha. Me parecem duas opções interessantes. Ainda assim, a atuação de ambos, com força na bola de fora e grande inteligência e tempo de bola para jogar em velocidade são armas que se equilibram em cada um dos times.

O ritmo de jogo

Considero um dos pontos fundamentais do basquete o ritmo de jogo. Quando um time faz o adversário jogar no seu tempo, o caminho para a vitória começa a se construir. Figueroa, armador do Pinheiros/Sky, faz isso como poucos e, mesmo quando sua estatística não impressiona, sua defesa e inteligência de jogo acaba por minar o principal armador adversário. No entanto, sua missão de logo mais é duríssima: enfrentar Nezinho, um dos mais aguerridos e agressivos jogadores do país. Ainda mais por se tratar de um jogo que promete intensidade e muita disputa, cenário perfeito para ele brilhar.

O banco

O time da capital federal não tem um banco ruim. Longe disso. Mas as opções não se comparam ao que tem de opção Cláudio Mortari. Se não contar com Shamell, o treinador terá Renato. Do banco, para mudar o ritmo do jogo, ele pode trazer Paulinho, que vem jogando em altíssimo nível. Para o garrafão, a equação se altera um pouco. Ainda que muito se fale de Morro, Fiorotto e Mineiro, acredito que ter Cipriano ou Tischer traga mais força na disputa pelos rebotes ofensivos, algo que pode também definir o jogo.

Fechar partidas

A maior vitória do Pinheiros/Sky essa temporada foi no Rio de Janeiro, na prorrogação, contra o Flamengo. Esse grande triunfo, somado ao merecido título paulista, deu sinal de que o time de Mortari está aprendendo a fechar partidas, defeito que o time mostrou algumas vezes no ano passado (e também este ano, durante a Sul-Americana). Do outro lado, ainda que em pior momento no campeonato, o time de Vidal é recheado de jogadores que estão extremamente habituados a garantir vitórias. Creio que, se o jogo chegar ao final apertado, as chances brasilienses passam a ser maiores do que as dos paulistanos.

Marquinhos

No entanto, como já mencionamos anteriormente, o Brasília só conseguirá vencer se arrumar um jeito de parar Marquinhos (esteja o Alex em quadra ou não). O ala da seleção está fazendo um campeonato de MVP. Extrema qualidade nos contra-ataques, dono de uma excelente leitura de pick and roll quando joga em dupla com Morro, fundamentos extremamente apurados do drible-parada-jump jogando em velocidade e, principalmente, muita agressividade nas infiltrações sempre atacando a cesta! Essas são algumas das qualidades que o ex-NBA tem mostrado nesta temporada e ajudado o Pinheiros a disputar palmo a palmo a liderança do campeonato.

Em teoria, esses parecem ser alguns dos pontos que podem definir a partida de logo mais. Obviamente que do lado de fora é muito mais fácil. O que nos sobra é esperar a hora deste grande jogo e torcer para que ambos consigam jogar o seu mais alto nível. 

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